51% dos brasileiros que ingressam na faculdade não concluem o curso nem três anos após o prazo previsto para a formatura
Só no primeiro ano da graduação, 1 a cada 4 universitários brasileiros (25%) abandona o curso no país, contra 13% nas demais nações analisadas pelo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
Por Jornalismo Tempo FM · 6 min de leitura
Veja:
- No Brasil, 25% dos alunos abandonam o bacharelado ainda no 1º ano. Na média da OCDE, o índice é de 13%, também considerado alto no relatório.
- Entre os brasileiros, apenas 38% terminam a graduação dentro do prazo esperado (versus 43% na OCDE).
- Três anos após a data em que, em tese, todos deveriam ter concluído o curso, 51% dos alunos no Brasil continuam sem diploma. Na OCDE, a média é de 30%.
- Essas baixas taxas de permanência e de conclusão explicam por que apenas 24% dos jovens adultos (25 a 34 anos) têm ensino superior completo no Brasil (versus 49% na OCDE).
"Altas taxas de evasão no primeiro ano podem indicar um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo ou exigências do curso, possivelmente refletindo falta de orientação profissional ou de apoio aos calouros", afirma a análise do "Education at a Glance".
- Baixa qualidade da educação básica: "Poucos alunos saem com um bom nível de aprendizado, o que impacta a continuidade da graduação. Eles chegam com lacunas importantes nos conhecimentos [que deveriam ter sido aprendidos na escola]", afirma o especialista.
- Fator financeiro: "Muitos têm dificuldade de se manter no ensino superior, seja pela questão de custo, já que boa parte está na rede privada, mas também por não haver remuneração no período de estudos".
- Falta de perspectiva: "Grande parte dos cursos é de qualidade média ou baixa e, por isso, não passa um efeito sinalizador de grandes retornos financeiros. Os alunos não ficam tão seguros de que, se concluírem a graduação em determinadas faculdades, terão grande compensação depois", diz Faria.
"Essa grande evasão na Engenharia, por exemplo, é muito influenciada pela questão da qualidade da educação básica — principalmente, por causa da lacuna em matemática que parte da população tem", explica o diretor-fundador do Iede.
Veja outros dados:
- No Brasil, 76% dos ingressantes das universidades tiraram um "ano sabático" após o fim do ensino médio. É um percentual bem acima da média do registrado pela OCDE, de 44%.
- Em todos os países, as mulheres que ingressam em cursos de bacharelado têm mais probabilidade do que os homens de concluir a graduação no tempo certo ou em até três anos após a data prevista para a formatura.
- Em 2024, quase um quarto dos jovens (24%) de 18 a 24 anos no Brasil não trabalhava, nem estudava. É um percentual maior do que a média da OCDE, de 14%.
Alunos podem não perceber, mas salários estão ligados ao diploma
- Adultos de 25 a 64 anos com ensino superior completo ganham, em média, 148% a mais do que aqueles com ensino médio completo (na OCDE, o abismo é menor, de 54%).
- Quem tem escolaridade abaixo do ensino médio recebe, em média, 75% do rendimento de quem completou a educação básica.
- Em média, indivíduos com mestrado têm empregabilidade e rendimentos significativamente mais altos do que aqueles que só estudaram até o bacharelado. Só 1% dos brasileiros chega a esse nível da pós-graduação stricto sensu. Na OCDE, o índice é de 16%.
Gasto por aluno no Brasil continua baixo em comparação à média da OCDE
- O PIB do Brasil em 2022 foi de US$1,92 trilhão, enquanto na Suécia foi de US$591,2 bilhões e, na Nova Zelândia, de US$248,1 bilhões.
- As populações destes países eram, no mesmo ano, de 215,3 milhões de pessoas no Brasil, 10,49 milhões na Suécia e 5,124 milhões na Nova Zelândia.