As companhias aéreas brasileiras iniciaram um ajuste na malha aérea doméstica e suspenderam mais de 2 mil voos previstos para maio. A medida ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional e aos sucessivos reajustes no querosene de aviação (QAV), aplicados pela Petrobras, o que tem elevado significativamente os custos operacionais do setor.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil indicam que a oferta caiu de 2.193 para 2.128 voos diários, resultando em uma redução mensal de 2.015 voos (-2,9%). Apesar do recuo considerado moderado, o impacto é relevante: cerca de 10 mil assentos deixam de ser ofertados por dia, equivalente à retirada de aeronaves de médio porte da operação.
Os cortes atingem principalmente mercados regionais, com destaque para estados como Amazonas, Pernambuco, Goiás, Pará e Paraíba, que registram quedas expressivas na oferta. A redução pode afetar a conectividade aérea e pressionar o preço das passagens nesses destinos.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, os impactos são severos, e o setor busca medidas junto ao governo federal, como isenção de tributos e apoio financeiro. Ainda assim, empresas avaliam que as ações têm alcance limitado diante da alta contínua dos combustíveis, o que pode levar a novos ajustes nos próximos meses.