O Brasil passou a ocupar a posição de segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China. Segundo levantamento da organização suíça Global Trade Alert, a tarifa efetiva média aplicada às exportações brasileiras para o mercado norte-americano subirá de 11,7% para 18,2%, enquanto a China continuará liderando a lista, com média de 27%.
A decisão ocorre após uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que analisou seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento, incluindo o Pix; acordos tarifários; combate à corrupção; propriedade intelectual; mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Entre os pontos de preocupação do governo americano está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, visto como um fator que pode reduzir a influência financeira dos Estados Unidos.
Especialistas avaliam, no entanto, que há limites para uma eventual negociação entre os dois países. O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirmou que alguns dos pedidos dos Estados Unidos, como os relacionados aos minerais críticos, esbarram em restrições previstas na Constituição brasileira.
Segundo ele, também existe desconhecimento por parte dos americanos sobre a autonomia dos Poderes e sobre os limites legais das negociações envolvendo o Brasil.